Olá pessoal!!!
A postagem de hoje trará um enfoque especial sobre as bases genéticas do envelhecimento neuronal. Apesar de termos uma seção dedicada exclusivamente às disfunções neurológicas daremos aqui uma visão geral de como a expressão de determinados genes afetam o sistema nervoso de indivíduos idosos. Boa leitura!
O envelhecimento do sistema
nervoso afeta de forma substancial o funcionamento dos neurônios. Isto, além de
resultar em déficits motores e cognitivos de base fisiológica, pode também
atuar como fator de risco para o desenvolvimento de diversas patologias.
Entre as alterações de ordem fisiológica mais frequentes estão a redução da população neuronal cerebelar, atrofia das células piramidais, decréscimo na quantidade de receptores dopaminérgicos e redução do número de células da glia. Estas anormalidades são frequentemente associadas à redução na produção de fatores transcricionais, responsáveis por induzir a proliferação e a ativação de células nervosas. O Mps1 (fator de migração microglial e macrofágica), de grande importância imunitária, tem sua expressão gênica reduzida com o envelhecimento, a causa disso é a redução da eficiência nas respostas imunológicas no SN. Além disso o mesmo gene codifica também fatores de ativação da resposta imune, sendo um dos de maior importância o Cd40l.
O decréscimo de eficiência nos
sistemas de defesa do SN atua como porta de entrada para diversas doenças
infecciosas neurodegenerativas. Isto ocorre porque os microgliócitos ativados
pela Mps1 são as células responsáveis pela fagocitose de agentes estranhos no
SN, em outras palavras, são os equivalentes neurais dos macrófagos do sangue.
Além da disfunção senil
imunitária no sistema nervoso, notam-se
perdas substanciais na capacidade de processamento e síntese de proteínas. Um
dos genes cuja expressão é reduzida com a senescência é responsável por
codificar chaperonas que agem em células nervosas ajudando no correto
enovelamento das proteínas. A ausência desses fatores de reparo e manutenção,
mais especificamente os fatores, Hsp40, Hsp27, Hsp59 e Hsc70, facilita o
depósito de complexos protéicos disfuncionais no meio intercelular, o que pode
levar ao desenvolvimento de síndromes de déficit cognitivo como Alzheimer.
Um fato importante
relacionado ao controle dos efeitos da senescência é o efeito das restrições
calóricas na expressão de genes em células nervosas. Estudos demonstraram o
efeito indutor deste processo na expressão de genes relacionados à plasticidade
neural, como os codificadores de neuroserpina, e a fatores neurotróficos como
os genes Hoxb9, Hoxb3 e Hoxb6. Isto abre um novo leque de possibilidades no
tratamento de doenças neurológicas, uma vez que demonstra ser possível regular
a expressão gênica dos fatores envolvidos por meio da regulação do metabolismo
celular.
Apesar de os mecanismos de ação da supressão
gênica em indivíduos senis ainda não terem sido completamente elucidados, é
clara a importância de se esclarecer a influência de fatores genéticos no
envelhecimento neural. Isto permite novas possibilidades de investigação
farmacológica e de novas formas de terapia.
Postado por: Artur Burle
Bibliografia:
Postado por: Artur Burle
Bibliografia:
Cheol-Koo Lee, Richard Weindruch & Tomas A. Prolla. Gene-expression profile of the ageing brain in mice. Nature Genetics, volume 25, 294-297, july 2000
Huang, J. et al. Neuronal protection in stroke by an sLex-glycosylated complement inhibitory protein. Science 285, 595–599 (1999).
Lee, C.-K., Klopp, R.G, Weindruch, R. & Prolla, T.A. Gene expression profile of aging and its retardation by caloric restriction. Science 285, 1390–1393 (1999).
Nossa, que post interessante! Realmente tinha muitas duvidas acerca desse tema! Continue postando!
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